domingo, 25 de setembro de 2016

O QUE É O PECADO IMPERDOÁVEL?

O que é o pecado imperdoável (Mt 12.31,32)?

A. A definição envolvida.
O cerne dessa questão envolve duas palavras gregas: blasphemeo e blasphemia. Essas palavras significam "falar de maneira injuriosa, difamar, caluniar, insultar, falar mal de".

B. Os dois pontos de vista envolvidos.
Existem (pelo menos) duas teorias relativas à natureza desse pecado.
  1. O primeiro ponto de vista. Esse pecado pode ser cometido por qualquer incrédulo hoje e ocorre quando um pecador rejeita repetidamente a voz convincente do Espírito Santo. Em determinado ponto, o Espírito Santo para de lidar com esse pecador, e ele é eternamente condenado, perdendo, assim, a chance da salvação, embora ele possa desejá-la mais tarde. Gênesis 6.3, às vezes, é citado em apoio a essa teoria. Contudo, o contexto dessa passagem fala sobre o número de anos entre a consternação de Deus por causa dos pecados do mundo antigo e a vinda do dilúvio universal, isto é, 120 anos.
  2. O segundo ponto de vista. Esse pecado consistia em atribuir a Satanás os milagres terrenos realizados por Jesus. Essa teoria, normalmente, é defendida pela maioria dos estudiosos da Bíblia, e o contexto da passagem anterior parece apoiá-la (Mt 12.22-24).
C. As diversas partes envolvidas.
Quem teria sido culpado de blasfemar contra o Deus Todo-Poderoso?
A partir de uma perspectiva histórica.
a) Jesus denunciou os fariseus iníquos por esse pecado (Mt 12.31,32).
b) Os fariseus iníquos tentaram acusar Jesus desse pecado:
(1) Eles disseram que Ele era um blasfemador por alegar que podia perdoar pecados (Mt 9.3).
(2) Eles disseram que Ele era um blasfemador por alegar ser igual a Deus (Jo 10.30-33).
A partir de uma perspectiva profética .
a) O anticristo blasfemará contra Deus (Ap 13.1.5.6).
b) Durante a grande tribulação, os impiedosos blasfemarão contra Deus (Ap 16.9,11,21).
c) A falsa igreja blasfemará contra Deus (Ap 17.3).

Por que a blasfêmia contra o Espírito Santo foi descrita como o pecado imperdoável (Mt 12.31,32)?

Nessa passagem, o contexto anterior é crucial para que possamos responder a essa pergunta (Mt 12.22-24).
Esse milagre, em particular, foi apenas um dos 35 milagres realizados por Jesus durante o Seu ministério terreno. Ele havia alimentado as multidões, ressuscitado os mortos, curado os enfermos, dado vista aos cegos, audição aos surdos, mobilidade aos paralíticos e libertado os endemoninhados! Uma das razões principais para tudo isso era confirmar que Ele havia sido enviado por Deus. Pelo menos, um fariseu havia reconhecido isso (Jo 3.1,2).
Entretanto, a vasta maioria dos fariseus simplesmente se recusava a aceitar isso, acusando-o de realizar essas grandes obras por meio do poder do próprio Satanás! À luz dessa rejeição e rebelião, o que mais o Pai poderia fazer para convencê-los? Naturalmente, a triste resposta é nada. Não é que eles não pudessem, mas sim que não quisessem acreditar. Portanto, eles haviam ido longe demais. Seu pecado era imperdoável.

O pecado imperdoável pode ser cometido hoje?

A maioria dos estudiosos evangélicos da Bíblia responderia não a essa pergunta, já que as condições que prevaleciam durante a censura de Jesus aos fariseus iníquos em Mateus 12 já não existem mais. Isso quer dizer, simplesmente, que hoje em dia nenhum homem ímpio, por mais profundo que possa ser o seu pecado, é capaz de ver, ouvir e amaldiçoar pessoalmente o Salvador como fizeram os fariseus há mais de dois mil anos, quando Jesus andou nesta terra!
Entretanto, devemos observar que, em outro sentido trágico da palavra, milhares de pessoas que morrem sem Cristo a cada dia cometem o pecado imperdoável e definitivo (Jo 3.3; At 4.12; Hb 2.3).
A Palavra de Deus deixa claro que Deus não apenas tem poder para salvar qualquer pecador arrependido, mas também deseja fazê-lo, independente de quão profunda seja a sua iniquidade (Rm 5.20; 6.23; 1Tm 1.15)!

O que é pecado para a morte (At 5.1-3; 1Co 11.26-30; 1Jo 5.16)?

Assim como o pecado imperdoável, o pecado para a morte também tem sido objeto de controvérsia. O ponto de vista comumente aceito é que esse pecado só pode ser cometido por um filho de Deus e acontece quando este vive uma vida tão detestável que o Pai finalmente o leva da terra dos viventes mais cedo do que normalmente teria feito. Em outras palavras, assim como existe o nascimento prematuro, também existe a morte prematura. Alguns estudiosos alegam que uma evidência dessa teoria pode ser vista em Atos dos Apóstolos 5.1-11, em 1 Coríntios 5.1-5 (aqui, contudo, o cristão de Corinto, aparentemente, arrependeu-se - veja 2 Co 2.6-11). Alguns dos que defendem essa teoria usam-na como embasamento teológico para interpretar passagens difíceis, como Hebreus 6.4-10; 10.26-30.

Até a próxima!
Fica na paz!